quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Você venceu!


É tão gostoso sentir meu filho mexer, ver a barriga crescer, preparar o enxoval...mas ao mesmo tempo faz tanta falta a presença de alguém que complete o papel de pai e marido.
Muitas noites eu fico observando meu namorado dormir...olho cada detalhe do seu rosto...gente como eu gosto dele....cada centímetro do seu corpo me atrai, imagino se o nosso filho terá seus traços...e choro...tanto...porque não tenho sua presença, não tenho seu amor e carinho...nem eu, nem o bebê! Percebo que ele não quer a nossa presença, a nossa companhia... percebo que ele não faz nada para nos aproximar, percebo que não temos espaço na sua vida.
Queria que ele simplesmente tocasse a minha barriga, conversasse com o nosso filho,... mas isso nunca aconteceu e me pergunto todos os dias o porque...queria que ele fosse Homem, ao menos uma vez e dissesse quais seus medos, suas angustias,...queria que ele me dissesse que não nos quer...seria tão mais fácil sair sem olhar para trás...mas ele não faz e sair sozinha eu não consigo. Não consigo olhar para ele e imaginar ele sem a presença do neném...
Já ouvi tantas vezes que não sou bem vinda, que ele se arrepende de ter me conhecido, ...e isso dói...dói tanto...que não consigo esquecer e levar a vida adiante.
Eu sou capaz de criar o bebê sozinha, mas como deixá-lo sem exercer seu papel?...continuo a esperar o neném nascer para ele mudar?...esperar mais quanto?...
A solidão durante a gravidez é mais riste quando se tem alguém o seu lado somente de corpo...as vezes acho que seria mais fácil se estivéssemos separados...O tempo vai passando e o apoio psicológico que precisamos é grande...o corpo muda, as duvidas aumentam, a sensibilidade fica a flor da pele...


Amor...eu sinto tanto pela sua ausência, pela falta de espaço na tua vida para nós dois, pela tua falta de vontade de ter uma família e pelo nosso sentimento que se perdeu... você não conseguiria imaginar o quanto eu sofri esse tempo todo ao mesmo tempo em que fui feliz.  Estou desistindo de você, não porque eu não queira tentar mais uma vez...mas porque você me venceu...pelo cansaço!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Desculpa meu filho, pelos dias que não conversei com você, pelas vezes que não demostrei todo amor e carinho que você me traz, pelas crises de choro, de medo, de insegurança, pela falta de carinho do teu papai. Acredite, se eu pudesse, eu voltaria atrás eu mudaria a nossa vida. Eu teria você em qualquer situação, mas mudaria esse sofrimento pelo qual eu passo e consequentemente, você. Papai é uma boa pessoa. Eu não posso e não quero culpá-lo por não querer o mesmo que eu quero. Preciso entender que as pessoas são diferentes, ou melhor, que nós dois nos tormamos diferentes um do outro. Quando você crescer, se tronar um homem, vai entender o que estou tentando te dizer. Vai entender como é o amor.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Da descoberta de uma vida ao fim de um amor

"O que é que eu faço agora?" Essa foi a primeira coisa que pensei quando o teste de farmácia apresentou dois tracinhos rosas. Depois, relembrei toda minha vida em minutos. Chorei... sorri...e contei pro futuro papai. A reação dele não foi a esperada. Diferentemente de mim, não sorriu e não chorou. Apenas me disse: não acredito, vc está brincando. Mostrei os ditos tracinhos, mas ele disse não entender!..Ok...mas eu entendi. Entendi que a partir daquele momento não éramos apenas eu e ele, mas éramos eu, ele e o bebê. Um bebê... metade de alguem que eu amo...o melhor presente que ele poderia me dar. Do exame de sangue à ecografia foram exatos dois dias. Indescritivel a emoção de ouvir seu pequenino coração. Lágrimas rolaram pelo rosto. 6 semanas, esta era a idade gestacional quando descobri. Foi um susto, mas hoje é uma benção, porque nada mais teria sentido sem vc bebê, nem a minha vida antes de vc, nem a minha vida com vc no meu ventre.
Dois meses e meio se passaram. Estou bem e o neném se desenvolvendo mto bem. Mas hoje, é o meu primeiro dia como mãe solteira. Sim, levei um pé na bunda. E esse pé tinha tanta força que arrancou de mim, da forma mais dura, a minha paz. Me sinto tão machucada, mas ao mesmo tempo com tanta força para seguir sozinha...Sinceramente, não sei como vou seguir minha vida sem ele. Daqui a quatro dias é meu aniversário e, ano passado ele esqueceu, mas neste ano, não precisa lembrar novamente...pois não vai mais ter que lembrar de nada.
Como vamos deitar e conversar sobre o neném? Como vamos escolher o nome, os padrinhos,...a escola...como vou suportar ver vc com outra pessoa se sou eu que carrego o teu filho...se sou eu quem te ama?